
Todas as vezes que experienciamos uma forma de desapontamento ou frustração é porque estamos resistindo a aceitar a realidade de que tudo muda, o tempo todo.
Aceitar mudanças requer de nós disponibilidade para o novo: temos que abandonar nossas velhas identidades e nos abrir para o desconhecido.
Na maioria das vezes, resistimos às mudanças porque elas nos demandam esforço, consciência e sabedoria para olhar de frente o que preferiríamos não ver.
Quando nos sentimos incapazes de lidar com o novo, surge em nós a raiva: vontade de atacar para nos defendermos daquela situação indesejada.
A raiva é um sentimento sustentado pela incapacidade de gerenciar uma situação.
A raiva nos desequilibra.
Apesar de expressar-se mediante a força da agressividade, ela nos enfraquece.
A raiva surge quando nos sentimos fracos e frustrados ao termos de reconhecer nossos limites internos e externos.
Para superar a raiva, é preciso saber atravessá-la.
O segredo está em observar o desconforto que ela produz em nós, sem nos deixarmos contaminar pela negatividade da autocrítica.
Como um cientista que é capaz de analisar uma substância venenosa sem se deixar contaminar por ela.
Não precisamos ser vítimas de nossa raiva.
Da próxima vez que você estiver preso à raiva, evoque em si mesmo uma atitude mental capaz de testemunhar o que estiver ocorrendo.
Você verá que é possível distanciar-se da raiva enquanto a estiver sentindo.
A atitude mental de observação é imparcial: não julga a raiva como certa ou errada.
Sua intenção é recuperar a clareza mental.
Para lidar positivamente com a raiva, temos de desenvolver a capacidade de manter os olhos abertos diante da dor.
Ter compaixão por nós mesmos é despertar a curiosidade em saber como aquele sentimento de raiva surgiu em nossa mente pela primeira vez.
Muitas vezes, sentir raiva nos faz chorar.
Se o choro for de aceitação, ele nos ajudará a derreter o ressentimento e o orgulho ferido.
Mas se for de indignação estaremos retroalimentando a própria raiva.
A indignação é como uma cola que nos deixa ainda mais presos ao sofrimento.
Podemos reconhecer que a raiva não nos traz benefícios e nos desinteressarmos por ela.
No entanto, só quando aceitamos a raiva é que ela se desprende de nós.
Há algo que a raiva quer nos ensinar.
Podemos escutá-la, pois ela nos revela as forças que necessitamos desenvolver para realizar nossas mudanças.
Na próxima vez que você estiver preso à raiva, pergunte-se: “Que força interna eu preciso gerar agora?”
Você já pensou em recuperar a gentileza consigo mesmo durante um ataque de raiva?
Podemos ter sido vítimas de uma injustiça, mas não precisamos ser vítimas de nós mesmos!
A determinação em sucumbir da raiva nos ajuda a recuperar nossa vitalidade.
O mestre budista Chögyam Trungpa dizia que o objetivo da vida consiste em simplesmente ir em frente e fazer da vida um modo de despertar, mais do que de adormecer.
Ele enfatizava que falhar é uma experiência inevitável, pois sempre encontraremos dificuldades. Mas se praticarmos com sinceridade e seguirmos o caminho com o nosso coração, as dificuldades não representarão um obstáculo.
Serão, simplesmente, um aspecto da vida, uma forma particular de energia.
Flores e Luz.
(Por Bel Cesar)